Pacheco critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas: 'Banaliza conceito de terrorismo'
Pacheco critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Esta...
Pacheco critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Pacheco participou de evento promovido pelo Lide, grupo de líderes empresariais fundado pelo ex-governador João Doria, em São Paulo. Questionado pelo g1, o ex-presidente do Senado afirmou que a medida de Trump “banaliza o conceito de terrorismo” e defendeu que o combate às facções seja conduzido pelo Estado brasileiro por meio dos mecanismos previstos na Constituição e na legislação nacional. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Edilson Rodrigues/Agência Senado Pacheco também rejeitou a possibilidade de que a classificação possa servir de justificativa para qualquer tipo de intervenção estrangeira no país. “O Estado brasileiro é um Estado soberano”, disse. Segundo ele, organizações como PCC e CV têm como objetivo principal a obtenção de lucro por meio de atividades criminosas, o que as diferencia de grupos enquadrados na definição tradicional de terrorismo. "Acho que é uma decisão equivocada dos Estados Unidos da América, e caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os EUA e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas. Essa classificação não é necessariamente uma ajuda", afirmou. O posicionamento ocorre um dia após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar que pretende incluir as duas facções brasileiras na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. O anúncio foi feito após encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, que se manifestou favoravelmente à medida. O evento aconteceu na Casa Lide, localizada em um prédio na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Também participaram o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator do projeto de regulamentação da inteligência artificial na Câmara dos Deputados, e a deputada Adriana Ventura (Novo-SP). Os parlamentares integraram painéis sobre tecnologia e inovação. Fim da carreira política de Pacheco Durante sua fala ao público, Rodrigo Pacheco voltou a afirmar que 2027 — quando termina o mandato dele no Senado — marcará o encerramento da trajetória política dele. Mais tarde, em entrevista a jornalistas, disse que a decisão é definitiva e descartou a possibilidade de disputar o governo de Minas Gerais ou de ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O senador afirmou que está plenamente realizado após 12 anos de vida pública. “Fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada e é sempre o momento de avaliar ciclos. Há um fechamento de ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido”, declarou. Flávio Bolsonaro e Vorcaro O ex-presidente do Senado também comentou a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Pacheco evitou criticar o colega e defendeu o direito à ampla defesa. “É muito importante separar as coisas, as questões políticas dessas questões judiciais, jurídicas e até policiais”, afirmou. O ex-presidente do Senado acrescentou que fatos surgidos durante o período eleitoral exigem responsabilidade na análise e que qualquer pessoa citada em investigações deve ter garantidos o contraditório, o devido processo legal e a presunção de inocência. Fim da escala 6x1 Pacheco também comentou a aprovação do fim da escala 6x1. Para o parlamentar, o tema já foi assimilado pelo Congresso Nacional e pela sociedade. “O povo brasileiro deseja isso. Agora cabe ao Senado avaliar como pode colaborar, eventualmente com algum aprimoramento do texto ou não”, disse. De acordo com apuração do jornal "O Estado de S. Paulo", Pacheco é um dos nomes cotados para relatar a proposta na Casa.